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Maldições Célticas
Maldições Célticas

Geas, no plural Geasa. Geiss, no plural Gessi. Além de sigificar uma prescrição imposta pelos druidas para firmarem um contrato entre duas partes, também significava "maldição". Conforme consta na obra de Ward Rutherford, os autores clássicos Estrabão e Diodoro, descrevem as habilidosas intervenções dos druidas nas batalhas intertribais, evitando que verdadeiras carnificinas ocorressem.

 

Estes autores escreveram também, que quando os guerreiros estavam alinhados, frente a frente no campo de batalha, os druidas apareciam e caminhavam entre os exércitos. Os homens ficavam paralizados, e às vezes os animais se deixavam dominar por encantos mágicos, pondo fim a contenda. Este poder dos druidas foi classificado como sendo o poder de lançar maldições.

 

Esta história pode ser comparada com a narrativa de Tácito sobre os efeitos da presença dos druidas nas praias de Anglesey. Na Batalha de Anglesey, como ficou conhecida, quando os celtas enfrentavam os romanos, os druidas foram descritos lançando maldições e pragas com as mãos erguidas para o céu - um gesto de invocação copiado pelos clérigos que cristianizaram os povos celtas. Os experientes soldados ficaram parados e expostos aos ferimentos.

 

Rutherford explica que a geas, chamada de geiss na obra compilada por Miranda Green, era um tabu, uma proibição que atingia o indivíduo sobre o qual era lançada. A geas poderia ser usada não só como meio de proibir que o celta fizesse algo ou um conjunto de coisas, como também poderia ser usada para forçá-lo a adotar determinada atitude ou hábito. O resultado de um geas variava desde uma situação desagradável até uma consequência fatal, que poderia causar a morte daquele que quebrasse o tabu, ou seja, daquele que não respeitasse a geas que lhe fora imposta por ato de magia druídica.

 

Nas narrativas célticas, forçar o heróis a quebrar sua geas era um jeito de destrui-lo. Um bom exemplo são as histórias do herói Cú Chulainn, que recebeu este nome por ter sido proibido de comer carne de cachorro. Isso foi uma geas lançada sobre ele. Nas sagas, Cú Chulainn é constantemente atacado por  inimigos que tentam forçá-lo a quebrar a geas. Quando ele o faz, o resultado é fatal. Aliás, a inevitabilidade de se quebrar a geas é um dos constantes elementos de muitas histórias célticas e introduz um fatalismo quase grego no pensamento celta.

 

Para Markale e Miranda Green, a aplicação prática da geas ou geiss, em galês tyghet, era a equivalência a uma proibição e ao mesmo tempo, um compromisso, uma forma de fazer com que os contratos fossem respeitados e cumpridos. Nas assembeias anuais entre os líderes tribais celtas, estes assumiam obrigações por um período de 7 anos e nenhum deles poderia ser cobrado antes de terminar o prazo. Para garantir o cumprimento de sua parte da obrigaçao, cada líder ou rei tribal assumia uma geiss, isto é, se não honrassem com sua parte do acordo, algo de desagradável ou trágico lhe aconteceria.

 

Igualmente, existia a búada ou ada, que era uma prescrição. Tanto a geiss, geas ou tyghet, assim como a búada ou ada, eram aplicadas pelos druidas que presidiam as Óenaich (assembleias). Na búada ou prescrição, os contratantes deveriam seguir certo protocolo quanto a uma obrigação, isto é, a obrigação deveria ser cumprida da forma prescrita pelo druida, com o que as partes envolvidas concordaram, caso contrário, haveria uma implicação desastrosa. A geas ou geiss também era um voto pessoal de conduta que os cavaleiros celtas assumiam. Após se comprometerem não poderiam voltar atrás, sob pena de recair sobre eles uma maldição.

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