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As Águas
As Águas

Para os celtas, a água era a fonte de toda a vida. A água fecundava, gerava, gestava, alimentava, curava, criava, renovava, mas também poderia destruir, aniquilar, ceifar a vida. As nascentes, os poços e o mar eram locais com água especialmente importantes para os celtas.

 

Na mitologia celta existiam dois tipos de águas, e isso fica bem claro linguisticamente: a água primordial, neutra, de onde toda a vida emergiu, e a água viva, sempre em movimento, que produzia a circulação do mundo. A água estava ligada às entidades femininas, como espíritos de mulheres, e à própria Deusa. Tanto é que os rios da Europa continental, especialmente da Gália antiga, e da Europa insular, possuem nomes de Deusas celtas, como a Deusa Danann ou Danu, que cedeu seu nome ao rio Danúbio. A Deusa Sequana que deu origem ao rio Sena. A Deusa Garumna, cujos rios São Garumna e Garona. A Deusa Souconna, rio Saône. Deusa Boann e o rio Boyne na Irlanda, etc. 

 

As palavras francesas "rio-riviére" e "mar-mer" são femininas, e possivelmente podem derivar de um substrato da língua céltica gaulesa. Ainda sobre o mar, há uma especulação linguística de que a etmologia dos nomes célticos Morgana (derivaria de Morigena: moro-mar e genos-nascida ou filha) e Merlin (derivaria de Moridunum: moro-mar e dunum-fortaleza) tenham ligação com o Mar.

 

Ritona ou Pritona era o nome de uma Deusa dos Vausem Trier, no rio Moselle que passa pela França, Luxemburgo e Alemanha. Era uma Deusa presente em todos os locais onde houvesse passagens com água, ou seja, nos locais onde os rios podiam ser cruzados a pé. Os Vaus eram tidos pelos celtas como Sídhe, ou seja, passagens deste para o Outro Mundo. Cruzar a água, fosse em um rio ou riacho artificial, fazia parte de determinados rituais, e significava que a partir de então, os celtas teriam passado deste para o Outro Mundo.

 

Em diversas lendas celtas como na história Branwen Daughter os Llyr, do Mobinogi (País de Gales), um homem enorme surge de dentro de um lago com um caldeirão nas costas. Arthur recebe a Excalibur da Senhora do Lago, que a retira das águas do lago sagrado. E até hoje, em muitos lugares da Europa, existe o costume de jogar em determinadas fontes ditas sagradas ou milagrosas, alfinetes, e mais comumente, moedas, como oferendas em troca de pedidos.

 

Nechtan, Deus dos celtas da Irlanda, casado com a Deusa Boann, era um dos Tuatha de Danann, e vivia entre as fadas e gênios do Sídh. Nechtan tinha um poço cujas águas era dotadas de tal energia que quem se aproximasse sem ter tal direito, teria os olhos explodidos. Esse poço era fonte de conhecimento.

 

Nas narrativas célticas, ter o direito de obter poderes divinos era crucial, pois aquele que tentasse receber as bênçãos de um lago, poço sagrado ou de uma poção encantada sem ter recebido autorização, geralmente e um Deus ou guardião, seria drasticamente punido.

 

Na antiguidade, todos os poços sagrados, desde os mananciais rurais até os centros de cura sagrados, tais como Aquae Sulis (atualmente Bath), encontravam-se sob a proteção da tríplice Deusa-Mãe. Os arqueólogos encontraram nestes locais, imagens em madeira ou pedra com a forma de três mulheres ou três cabeças de mulheres, representando o aspecto tríplice da Deusa que protegia aquele espaço sagrado. Em alguns desses santuários, apesar de mais raramente, também foram encontradas imagens da Deusa e do Deus entalhadas em madeira nobre, geralmente o carvalho.

 

A água, onde quer que se encontrasse, tinha para os céltas a significação de Vida e Morte. Rios, fontes, poços, lagos, pântanos, quedas d'água e o mar, eram personificações da Deusa, além de serem entradas para o Outro Mundo, o que explica a quantidade de oferendas encontradas, que possivelmente foram atiradas na água, como ouro, prata, armas, alimentos, ossos de animais, roupas, carruagens, etc, com o intuito de agradar os Deuse se os ancestrais que ainda estivessem no Outro Mundo.

 

As poções eram especialmente poderosas e muito utilizadas na magia celta, até porque eram normalmente preparadas em caldeirões encantados, tornando-as amplamente utilizadas para os mais variados fins, como cura, amor, juventude, sabedoria, etc.

 

Uma vez que a água estava associada à feminilidade, à sabedoria e ao conhecimento, para os celtas a sabedoria era considerada um dom feminino. As Bruxas celtas eram chamadas de Mestras em algumas comunidades célticas da Península Ibérica, mais provavelmente onde hoje é Portugal.

 

As mestras eram ligadas e protegidas por entidades benfazejas. Viviam à beira de riachos ou tinham dentro de suas propriedades, nascentes ou cursos d'água, os quais usavam para realizar tratamentos de saúde e para praticar a vidência, dentre outras aplicações. Consideravam que o rio era indispensável para curar doenças de mulheres, que ao se banharem nas águas frias em determinadas datas ritualísticas, como na véspera de Beltaine, por exemplo, seriam curadas de acessos de histeria ou melancolia. 

 

Nas narrativas irlandesas antigas, existem descrições de poços que possuíam poderes mágicos, como o poço de Cóelrind ou Connla's Well, localizado na Tír na nÓg (Terra da Juventude Eterna), a qual se situava por sua vez, sob o mar ou no Condado Tipperary. Havia ainda o poço de Segais. Ambos eram rodeados por nove aveleiras (tanto o número 9 quando a árvore aveleira, são considerados sagrados para os céltas) e em suas águas viviam salmões que se alimentavam com as avelãs.

 

As avelãs e os salmões eram portadores de inspiração, conhecimento e sabedoria. O conhecimento para os Celtas implicava conhecimento esotérico, percepção metafísica. Todos estes poderes teriam de ser entregues, dados a quem merecesse, ao invés de serem desenvolvidos pelo interessado através de estudos e dedicação. A heroína ou o herói eram orientados por algum Ser do Outro Mundo, a ingerir as avelãs ou o salmão para se tornar portador de todo o conhecimento e sabedoria universais, se assim merecessem.

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